Conceitos gerais sobre embalagem

Por admin • mar 4th, 2011 • Categoria: Embalagens

1. Introdução

A embalagem desempenha um papel fundamental na indústria alimentar graças às suas múltiplas funções. Além de conter o produto, a embalagem é muito importante na conservação do produtos, mantendo a sua qualidade e segurança, actuando como barreira contra factores responsáveis pela deterioração química, física e microbiológica dos produtos.

Apesar das inúmeras inovações registadas a nível da produção, aplicação dos materiais, tecnologia de conservação dos produtos e sistemas de distribuição, os sistemas e formas de embalagem tradicionais coexistem graças a características específicas e funcionais e à sua capacidade de adaptação como resposta às necessidades e exigências dos mercados.

São várias as definições que podem ser apresentadas para a embalagem: Sistema coordenado de preparação de produtos para transporte, distribuição, armazenamento e uso final. Meio de assegurar o envio do produto ao consumidor final, em condições ótimas e a baixo custo.

Função técnico econômica de diminuir o custo de distribuição e aumentar as vendas. Arte, a ciência e a tecnologia de preparar produtos para transporte e venda.

2. As funções da embalagem

As quatro funções principais que a embalagem deve satisfazer são a protecção, a conservação, a informação e a função associada ao serviço ou à conveniência na utilização.

Função de proteção: a embalagem é antes de mais um recipiente que contém o produto e que deve permitir o seu transporte, distribuição e manuseamento, protegendo-o contra choques, vibrações e compressões que ocorrem em todo o circuito.

O sistema de embalagem deve também proteger o produto contra adulteração ou perda de integridade, quer sejam acidentais quer sejam provocadas, através de sistemas de evidência de abertura, como bandas, selos, tampas com anel de ruptura, tampos com botão indicador de vácuo, etc.

Função de conservação: a embalagem deve manter a qualidade e a segurança do produtos, prolongando a sua vida-útil e minimizando as perdas de produto por deterioração.

Para isso, a embalagem deve controlar fatores como a umidade, o oxigénio, a luz e ser uma barreira aos microorganismos presentes na atmosfera envolvente e impedir o seu desenvolvimento no produto.

A embalagem deve também sem constituída por materiais e substâncias que não migrem para o produto, em quantidades que possam por em risco a segurança dos consumidores ou alterar as características organolépticas do produto.

Permeabilidade a vapor de água gases e aromas.

Proteção e conservação: a embalagem faz muitas vezes parte integrante do processo de preparação e conservação do alimento. Ela é concebida e adaptada a uma certa tecnologia (função tecnológica e industrial) para a qual é completamente indispensável, desempenhando assim um papel activo, como no processamento térmico, no acondicionamento asséptico e na atmosfera modificada:

Processamento térmico: as embalagens devem ser perfeitamente herméticas, resistir a temperatura do processo e permitir as variações de volume do produto durante o processo, sem perigo de deformação permanente e sem comprometer a recontaminação pós-processo.

Acondicionamento asséptico: o produto é esterilizado separadamente e introduzido assepticamente numa embalagem também estéril. A embalagem deve ser adequada ao processo de esterilização e permitir o enchimento do produto processado e o fecho em condições perfeitamente assépticas, mantendo a integridade e hermeticidade do material e das soldas.

Em atmosfera modificada: consiste no acondicionamento sob uma atmosfera cuja composição é diferente da do ar normal, usando-se normalmente uma mistura de oxigénio, dióxido de carbono e azoto, ou em alguns casos, apenas azoto como gás inerte. Na maioria dos produtos a conservação é também feita sob refrigeração.

Esta tecnologia de processamento requer máquinas de acondicionamento eficientes e materiais de embalagem com permeabilidade selectiva e controlada, que permitem manter na atmosfera gasosa interna da embalagem, proporções constantes ou dentro de determinados limites dos diferentes gases, não obstante o metabolismo activo dos produtos embalados.

Função de informação: a embalagem é também, por excelência, o veículo de informação sobre o produto, quer seja de informação relevante para o consumidor, quer seja para os diferentes elementos da cadeia de distribuição e venda do produto.

Neste último caso, a embalagem transmite informação para a gestão de stocks, instruções de armazenamento e de manuseamento, preço e permite a identificação e rastreabilidade do produto.

Ao nível do consumidor, a embalagem é suporte dos requisitos legais de rotulagem (nome e tipo do produto, quantidade, data de consumo, responsável pela colocação no mercado, etc.), da informação nutricional e de instruções de armazenamento doméstico, de preparação e uso.

Função de conveniência ou serviço: na medida em que a embalagem deve ser conveniente e adequada à utilização. Exemplos de aspectos da embalagem que se englobam nesta função: abertura fácil, tampas doseadoras e possibilidade de fecho entre utilizações, possibilidade de aquecer/cozinhar e servir na própria embalagem, utilização em fornos microondas, permitir a combinação de produtos diferentes, como iogurte e cereais, ser adequada a diferentes ocasiões de consumo (por exemplo em situações de desporto) e diferentes quantidades (doses individuais, etc.).

Nesta função podem ser incluídos aspectos menos técnicos e mais relacionados com o marketing e a comunicação, já que a embalagem deve reter a atenção e seduzir o comprador no ponto de venda.

3. Classificação da embalagem

Quanto à estrutura dos materiais As embalagens de produtos alimentares podem ser de vidro, metal, plástico ou papel. Podemos ainda encontrar embalagens de madeira, têxteis e cortiça. As embalagens podem ser classificadas como rígidas, flexíveis ou semi-rígidas. Em alguns casos é a espessura do material que classifica a embalagem.

Quanto à função ou nível das embalagens É corrente distinguir três níveis da embalagem: primária, secundária e terciária ou de transporte. A embalagem primária (por exemplo a lata, a garrafa ou o saco) está em contacto directo com o produto e é normalmente responsável pela conservação e contenção do produto.

A embalagem secundária (como é o caso das caixas de cartão ou cartolina) contém uma ou várias embalagens primárias e é normalmente responsável pela protecção físico-mecânica durante a distribuição.

A embalagem secundária é, muitas vezes, também responsável pela comunicação, sendo o suporte da informação, principalmente nos casos em que contém apenas uma embalagem primária, como por exemplo as caixas de cereais pequeno-almoço que contêm um saco de cereais.

A embalagem terciária agrupa diversas embalagens primárias ou secundárias para o transporte, como a caixa de cartão canelado ou a grade plástica para garrafas de bebidas. A escolha de embalagens deste tipo depende de: natureza da embalagem individual (rígida, semi-rígida ou flexível); esquema de paletização (dimensionamento da embalagem colectiva com vista a maximizar o aproveitamento da palete); custos.

As embalagens primárias são agrupadas em cargas unitárias, em paletes de madeira ou plásticas, estabilizadas com filme estirável, termoretráctil ou com cintas.

4. Principais características dos materias de embalagem

A seleção do sistema de embalagem para um dado produto depende de muitos fatores como o tipo de produto, os requisitos de protecção e a vida útil do produto requerida, o mercado a que se destina, o circuito de distribuição e venda, etc. Todos os materiais apresentam aspectos positivos e aspectos negativos e as principais características são mencionadas a seguir:

O VIDRO Inerte Transparente com possibilidade de se tornar colorido Elevada resistência à compressão vertical Muito boa barreira Várias formas e tamanhos Quebrável Elevado peso Possibilidade de fecho entre utilizações Reutilizável e reciclável

O METAL (base de aço) Interação química com o produto: corrosão, sulfuração Resistente a baixas e elevadas temperaturas Boa resistência mecânica Possibilidade de decoração 6

Muito boa barreira Não transparente Reutilização limitada Reciclável e facilidade de separação dos resíduos

O METAL (base de alumínio) Leve e resistente Muito boa barreira Elevada resistência à sulfuração e moderada à corrosão Boa capacidade de formação Flexível ou rígido (depende da espessura) Possibilidade de combinação com papel ou plástico (laminados) Reciclável Custos de produção elevados

O PLÁSTICO Leve Inquebrável Resistência mecânica relativa Barreira relativa Inércia relativa Resistência térmica relativa Não reutilizável Reciclável Possibilidade de combinação com papel e alumínio, ou outros plásticos

O PAPEL Várias espessuras e formatos Combinação com vários materiais para formar produtos laminados ou revestidos Baixa resistência mecânica Baixa barreira Falta de inércia Resistente a baixas temperaturas Boa impressão Baixo peso Reciclável 7

5. O ambiente e a embalagem

As grandes mudanças dos hábitos alimentares decorrentes da alteração dos estilos de vida, têm levado ao aumento considerável da oferta de alimentos pré-preparados e conservados. Esta evolução associada às exigências dos modernos sistemas de distribuição tem favorecido o aparecimento de novas embalagens resultantes quer da aplicação de novas tecnologias de fabricação e processamento de materiais, quer do aparecimento de novos materiais ou mesmo novas combinações de materiais tradicionais.

As modificações nos hábitos alimentares explicam o progressivo aumento da quantidade de resíduos de embalagens no total dos resíduos sólidos urbanos produzidos no nosso país. Apesar da inquestionável importância económica e social da embalagem, a consciência do seu impacto no ambiente e a regulamentação, impõem a necessidade de prevenir a produção excessiva de resíduos de embalagem e de desenvolver a sua valorização, de modo a diminuir de forma intensa o recurso ao depósito em aterro e promover uma economia ambientalmente sustentável.

No que diz respeito à gestão dos resíduos de embalagem, a Comissão Europeia propôs uma hierarquização dos métodos de gestão em: redução na origem ou prevenção, reutilização, reciclagem, incineração (com recuperação energética) e só em último caso a deposição em aterro.

A redução na origem, não sendo apenas o uso de menos embalagens, consiste na minimização do consumo de materiais (uso de embalagens mais leves), na redução do consumo de energia e na eliminação do uso de substâncias nocivas ao ambiente na produção e transformação das embalagens.

A reutilização implica o retorno da embalagem, após consumo, à fábrica de alimentos ou bebidas, para novo enchimento da própria embalagem, ou seja para nova utilização para o mesmo fim para que foi concebida. A reciclagem mecânica consiste no processamento dos resíduos das embalagens para fabricar outras embalagens ou outros objectos. A reciclagem orgânica, compostagem ou biometanização, consiste no tratamento das partes biodegradáveis da embalagem com microrganismos aeróbicos ou anaeróbicos, respectivamente, e produção de resíduos orgânicos.

Para que a reciclagem seja eficiente e técnica e económicamente viável, é indispensável que os cidadãos consumidores adiram à recolha selectiva, separando todos os materiais passíveis de serem reciclados. As autarquias desempenham igualmente um papel importante devendo tratar os resíduos recolhidos de forma a poderem entregá-los às empresas recicladoras em conformidade com as especificações técnicas exigidas.

No caso da valorização energética, trata-se da utilização dos resíduos das embalagens combustíveis para a produção de energia através da incineração directa com recuperação do calor.

O aterro sanitário é uma infra-estrutura que veio substituir as lixeiras a céu aberto, e onde os resíduos sólidos urbanos são depositados e isolados do ambiente permitindo o acondicionamento seguro de substâncias dificilmente biodegradáveis. Ao aterro sanitário devem chegar apenas resíduos que não têm qualquer possibilidade de serem valorizados.

Estas infra-estruturas estão equipadas com um conjunto de medidas de proteção ambiental por forma a minimizar os riscos para o ambiente. Após o encerramento dos aterros sanitários a zona é geralmente requalificada através da cobertura do local com vegetação.

A gestão dos resíduos sólidos urbanos e os resíduos de embalagem não é uma matéria fácil. Soluções integradas, envolvendo combinação das opções referidas, tendo em conta o balanço custo/benefício em termos ambientais e económicos de acordo com as condições locais, são muitas vezes defendidas por especialistas e instituições reguladoras e de protecção ambiental.

É necessário um compromisso entre a satisfação das necessidades dos consumidores, cada vez mais exigentes, e a efectiva protecção ambiental. Através do envolvimento das pessoas e autarquias, devem ser criados hábitos de conduta com respeito à natureza: a mentalização das pessoas para a necessidade da separação dos resíduos, estimula o comportamento cívico face à limpeza pública e aprovisionamentos dos recursos naturais.

Fonte: www.ebah.com.br

Deixe uma resposta